O menino, a dura realidade e os sonhos
O sonho de ser médico parecia distante para o menino nascido no dia 22 de abril de 1980, aniversário do descobrimento do Brasil, no Hospital Evangélico, em Londrina. Aos sete anos, a violência levou seu pai, seu Orente, policial militar morto em serviço. A mãe, d. Ilda, multiplicou sozinha os esforços para que as duas filhas e o filho seguissem os melhores caminhos. E conseguiu.
A História
Líder por natureza e com uma grande vontade de unir pessoas, em 1990, ainda morando no conjunto Aquiles Stenghell, na Zona Norte de Londrina, Odarlone funda o Clube e Amigos (C e A). Ali as crianças e adolescentes da vizinhança se reuniam para ler revistas em quadrinhos e jogar futebol de botão.
Em poucos meses, o grupo passa a contar com o apoio de um adulto na sua organização e passa a chamar-se UCAA (União das Crianças e Adolescentes do Aquiles), que passou a movimentar a vida da comunidade.
Por meio da iniciação esportiva, estímulo à leitura, participação em gincanas de diversas igrejas católicas, o grupo foi evoluindo e assumiu a responsabilidade pela organização da festa junina da comunidade. Nesse período, Odarlone estudava na Escola Ruth Lemos no Conjunto Luís de Sá.
Entre os 12 e 14 anos foi aprendiz de funileiro e, nos fins de semana, vendia pastel na famosa feira da avenida Saul Elkind.
A fé e os valores
Em 1992, entrava para a Guarda Mirim, que o encaminhou para o primeiro emprego, como menor-aprendiz na Embrapa e, depois, na Hidromar e Tour Company Turismo.
Já 1994, entra para a Igreja Missionária. A liderança no grupo de jovens foi natural, chegando a ser pregador em diversas oportunidades. Foi, inclusive, convidado para ministrar cultos em outras igrejas da região.
A responsabilidade foi assumida cedo.
Entre 18 e 20 anos, o trabalho era como taxista no ponto da Vila Casone, em frente à Padaria Central.
Movimento estudantil: a liderança
Em 1996, começa a cursar Magistério no Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL). Ali inicia a militância política ao assumir a secretaria-geral do Grêmio Estudantil e participar de ações que conquistaram diversos benefícios para a escola.
No ano seguinte, é eleito presidente do Grêmio e reeleito por mais dois mandatos. Neste período, o Grêmio do IEEL foi a locomotiva do movimento estudantil de Londrina e referência para o Estado, liderando grandes manifestações, inclusive conseguindo a redução da taxa do vestibular de 1997.
Nesta mesma época, Odarlone ainda fez parte da direção municipal da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES) e da direção estadual da União Paranaense dos Estudantes Secundarista (UPES).
O colegial foi cursado na Escola Estadual Lauro Gomes da Veiga Pessoa.
A militância estudantil foi fundamental para a realização de diversas atividades e para a conquista de muitas melhorias na escola, através da parceria do Grêmio Estudantil naquela época. A força dos estudantes de Londrina movimentou a cidade em diversos aspectos, fortalecendo a organização da sociedade civil em busca de progresso.
Cuba e a melhor Medicina do mundo
O sonho de ser médico começa a se tornar realidade quando, ao concluir o Ensino Médio, no Colégio Olavo Bilac, Odarlone recebe um importante convite da Central de Movimentos Populares (CMP): estudar na Escola Latino-Americana de Medicina em Havana, Cuba.
O convênio entre os governos do Brasil e de Cuba ajudou centenas de jovens brasileiros a realizar o sonho de ser médico, por meio de bolsas de estudos. Posteriormente, o programa Mais Médicos ajudou milhões de brasileiros a terem mais acesso ao atendimento nas unidades de saúde.
A grande mudança
Em fevereiro de 2001, com 20 anos, Odarlone desembarcou em Havana. Durante seis meses frequentou o curso modular para avaliação e posterior ingresso no curso de Medicina. Isso sem saber quase nada de Espanhol, a língua nativa.
Em setembro, começa definitivamente o curso de Medicina. Já no primeiro semestre, devido à sua capacidade de liderança, é escolhido por cerca de 60 colegas como representante da delegação brasileira, posto no qual permaneceria até seu último dia de aula em Cuba.
Neste mesmo ano, é convidado pelo governo cubano para participar do Encontro Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Argel, capital da Argélia, na África, onde pode conhecer e fazer intercâmbio de ideias e ideais com jovens de todo o planeta.
Em 2003 participou de evento da juventude progressista em Caracas, na Venezuela, também a convite do governo cubano.
Valores e disciplina
Odarlone conciliava os estudos com a militância. Já nas enfermarias, se destacava pelos seus valores humanos e qualidade técnica, tendo concluído cada período sem nenhum percalço. Durante o último ano se interessou muito pela ortopedia, tanto que passou a ser aluno ajudante nesta especialidade.
"Tive a oportunidade em pelo menos duas ocasiões estar e conversar com o Comandante Fidel Castro. Na primeira no embarque para Argel, onde se despediu de nós, um a um, na porta do avião. A segunda foi em uma visita surpresa à sede da Escola Latino-Americana."
Em ambas as ocasiões, ficou marcada a importância do papel do médico em tratar as pessoas com dignidade e respeito.
Retorno ao Brasil
No final de 2007, conclui o curso que durou seis anos. Retorna ao Brasil e começa uma outra batalha, a do reconhecimento de seu diploma, a revalidação. Foi um processo longo e caro para traduzir e autenticar documentos e, após submeter-se em 2009 à prova de revalidação na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, tem seu diploma homologado e pode exercer legalmente a profissão no Brasil.
Consolidação
Em 2010, inicia sua residência médica em Medicina de Família e Comunidade, na cidade de Fortaleza. Curso concluído em 2012.
Neste mesmo ano, é aprovado em concurso público e passa a ser médico do serviço público municipal e médico regulador do SAMU na cidade de Apucarana.
Em 2023, como gestor público da Atenção Primária de Apucarana/PR, é possível ampliar as formas de participação democrática no desenvolvimento das políticas públicas de saúde, consultando a gestão municipal, servidores e população, para que a qualidade dos serviços sejam cada vez melhores.
O ano de 2024 trouxe o desafio do combate à dengue e a luta pela preservação de vidas ameaçadas pelo mosquito Aedes aegypti. "80% dos criadouros estão nas casas e quintais e podem ser eliminados com atitudes simples" de eliminar depósitos de água parada, Odarlone afirma.
O futuro
Como a Medicina, o aprendizado é dinâmico e não se pode parar no tempo. "Os projetos são: continuar aperfeiçoando dentro da profissão para cada vez mais contribuir com a solução dos problemas de saúde de nossa comunidade; e, também, não perder de vista que temos que continuar na luta política para organizarmos a comunidade, construirmos a cidade que queremos e a sociedade que merecemos."
Passou no concurso estadual para Médico Legista da Polícia Científica do estado do Paraná.
Com este ideal, Odarlone enfrentou as urnas e conseguiu o maior número de votos para vereador em Apucarana, em 2024, onde somou 2.407 manifestações de confiança. Mas, só pode assumir mediante a revisão do processo eleitoral, em julho de 2025. "Foi lindo receber o reconhecimento da população por um trabalho honesto e dedicado. Tenho muita gratidão", afirma ele.
Juntamente a isso, Odarlone é coordenador estadual da Central de Movimentos Populares do Paraná, retribuindo a bolsa de estudos que recebeu da entidade e liderando os movimentos sociais no estado. Para lutar pela categoria médica, ele ainda foi eleito presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná.
Agora, o desafio que se aproxima também vem da demanda popular: ser pré-candidato a deputado estadual, nas eleições de 2026.