Biografia Pessoal e Profissional

Sobre Odarlone

O menino, a dura realidade e os sonhos: a trajetória da periferia à Medicina e à luta pela saúde pública.

Sou médico de Família e Comunidade no SUS e Médico Legista da Polícia Científica do Paraná. Fui médico regulador do SAMU 24h, da Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana.

Sou o vereador mais votado na eleição de 2024, em Apucarana, com 2.407 votos de confiança da população.

Sou presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná (licenciado), coordenador estadual da Central de Movimentos Populares do Paraná (lic), presidente do Partido dos Trabalhadores de Apucarana (lic) e presidente da Federação das Associações de Moradores de Apucarana (lic).

Sou pai do Benjamim, Joseph e Aísha, marido da Angélica. Sou uma pessoa leal, responsável, trabalhadora e ética.

Meus amigos me consideram um amigo verdadeiro, comprometido, solidário e apaixonado pela militância política.

Não foi fácil chegar até aqui.

A vida se mostrou dura e generosa ao mesmo tempo. Mas me permite usar meu conhecimento para cuidar das pessoas, e isto me realiza.

Este sou eu.

Odarlone

O menino, a dura realidade e os sonhos

O sonho de ser médico parecia distante para o menino nascido no dia 22 de abril de 1980, aniversário do descobrimento do Brasil, no Hospital Evangélico, em Londrina. Aos sete anos, a violência levou seu pai, seu Orente, policial militar morto em serviço. A mãe, d. Ilda, multiplicou sozinha os esforços para que as duas filhas e o filho seguissem os melhores caminhos. E conseguiu.

A História

Líder por natureza e com uma grande vontade de unir pessoas, em 1990, ainda morando no conjunto Aquiles Stenghell, na Zona Norte de Londrina, Odarlone funda o Clube e Amigos (C e A). Ali as crianças e adolescentes da vizinhança se reuniam para ler revistas em quadrinhos e jogar futebol de botão.

Em poucos meses, o grupo passa a contar com o apoio de um adulto na sua organização e passa a chamar-se UCAA (União das Crianças e Adolescentes do Aquiles), que passou a movimentar a vida da comunidade.

Por meio da iniciação esportiva, estímulo à leitura, participação em gincanas de diversas igrejas católicas, o grupo foi evoluindo e assumiu a responsabilidade pela organização da festa junina da comunidade. Nesse período, Odarlone estudava na Escola Ruth Lemos no Conjunto Luís de Sá.

Entre os 12 e 14 anos foi aprendiz de funileiro e, nos fins de semana, vendia pastel na famosa feira da avenida Saul Elkind.

A fé e os valores

Em 1992, entrava para a Guarda Mirim, que o encaminhou para o primeiro emprego, como menor-aprendiz na Embrapa e, depois, na Hidromar e Tour Company Turismo.

Já 1994, entra para a Igreja Missionária. A liderança no grupo de jovens foi natural, chegando a ser pregador em diversas oportunidades. Foi, inclusive, convidado para ministrar cultos em outras igrejas da região.

A responsabilidade foi assumida cedo.

Entre 18 e 20 anos, o trabalho era como taxista no ponto da Vila Casone, em frente à Padaria Central.

Movimento estudantil: a liderança

Em 1996, começa a cursar Magistério no Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL). Ali inicia a militância política ao assumir a secretaria-geral do Grêmio Estudantil e participar de ações que conquistaram diversos benefícios para a escola.

No ano seguinte, é eleito presidente do Grêmio e reeleito por mais dois mandatos. Neste período, o Grêmio do IEEL foi a locomotiva do movimento estudantil de Londrina e referência para o Estado, liderando grandes manifestações, inclusive conseguindo a redução da taxa do vestibular de 1997.

Nesta mesma época, Odarlone ainda fez parte da direção municipal da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES) e da direção estadual da União Paranaense dos Estudantes Secundarista (UPES).

O colegial foi cursado na Escola Estadual Lauro Gomes da Veiga Pessoa.

A militância estudantil foi fundamental para a realização de diversas atividades e para a conquista de muitas melhorias na escola, através da parceria do Grêmio Estudantil naquela época. A força dos estudantes de Londrina movimentou a cidade em diversos aspectos, fortalecendo a organização da sociedade civil em busca de progresso.

Cuba e a melhor Medicina do mundo

O sonho de ser médico começa a se tornar realidade quando, ao concluir o Ensino Médio, no Colégio Olavo Bilac, Odarlone recebe um importante convite da Central de Movimentos Populares (CMP): estudar na Escola Latino-Americana de Medicina em Havana, Cuba.

O convênio entre os governos do Brasil e de Cuba ajudou centenas de jovens brasileiros a realizar o sonho de ser médico, por meio de bolsas de estudos. Posteriormente, o programa Mais Médicos ajudou milhões de brasileiros a terem mais acesso ao atendimento nas unidades de saúde.

A grande mudança

Em fevereiro de 2001, com 20 anos, Odarlone desembarcou em Havana. Durante seis meses frequentou o curso modular para avaliação e posterior ingresso no curso de Medicina. Isso sem saber quase nada de Espanhol, a língua nativa.

Em setembro, começa definitivamente o curso de Medicina. Já no primeiro semestre, devido à sua capacidade de liderança, é escolhido por cerca de 60 colegas como representante da delegação brasileira, posto no qual permaneceria até seu último dia de aula em Cuba.

Neste mesmo ano, é convidado pelo governo cubano para participar do Encontro Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Argel, capital da Argélia, na África, onde pode conhecer e fazer intercâmbio de ideias e ideais com jovens de todo o planeta.

Em 2003 participou de evento da juventude progressista em Caracas, na Venezuela, também a convite do governo cubano.

Valores e disciplina

Odarlone conciliava os estudos com a militância. Já nas enfermarias, se destacava pelos seus valores humanos e qualidade técnica, tendo concluído cada período sem nenhum percalço. Durante o último ano se interessou muito pela ortopedia, tanto que passou a ser aluno ajudante nesta especialidade.

"Tive a oportunidade em pelo menos duas ocasiões estar e conversar com o Comandante Fidel Castro. Na primeira no embarque para Argel, onde se despediu de nós, um a um, na porta do avião. A segunda foi em uma visita surpresa à sede da Escola Latino-Americana."

Em ambas as ocasiões, ficou marcada a importância do papel do médico em tratar as pessoas com dignidade e respeito.

Retorno ao Brasil

No final de 2007, conclui o curso que durou seis anos. Retorna ao Brasil e começa uma outra batalha, a do reconhecimento de seu diploma, a revalidação. Foi um processo longo e caro para traduzir e autenticar documentos e, após submeter-se em 2009 à prova de revalidação na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, tem seu diploma homologado e pode exercer legalmente a profissão no Brasil.

Consolidação

Em 2010, inicia sua residência médica em Medicina de Família e Comunidade, na cidade de Fortaleza. Curso concluído em 2012.

Neste mesmo ano, é aprovado em concurso público e passa a ser médico do serviço público municipal e médico regulador do SAMU na cidade de Apucarana.

Em 2023, como gestor público da Atenção Primária de Apucarana/PR, é possível ampliar as formas de participação democrática no desenvolvimento das políticas públicas de saúde, consultando a gestão municipal, servidores e população, para que a qualidade dos serviços sejam cada vez melhores.

O ano de 2024 trouxe o desafio do combate à dengue e a luta pela preservação de vidas ameaçadas pelo mosquito Aedes aegypti. "80% dos criadouros estão nas casas e quintais e podem ser eliminados com atitudes simples" de eliminar depósitos de água parada, Odarlone afirma.

O futuro

Como a Medicina, o aprendizado é dinâmico e não se pode parar no tempo. "Os projetos são: continuar aperfeiçoando dentro da profissão para cada vez mais contribuir com a solução dos problemas de saúde de nossa comunidade; e, também, não perder de vista que temos que continuar na luta política para organizarmos a comunidade, construirmos a cidade que queremos e a sociedade que merecemos."

Passou no concurso estadual para Médico Legista da Polícia Científica do estado do Paraná.

Com este ideal, Odarlone enfrentou as urnas e conseguiu o maior número de votos para vereador em Apucarana, em 2024, onde somou 2.407 manifestações de confiança. Mas, só pode assumir mediante a revisão do processo eleitoral, em julho de 2025. "Foi lindo receber o reconhecimento da população por um trabalho honesto e dedicado. Tenho muita gratidão", afirma ele.

Juntamente a isso, Odarlone é coordenador estadual da Central de Movimentos Populares do Paraná, retribuindo a bolsa de estudos que recebeu da entidade e liderando os movimentos sociais no estado. Para lutar pela categoria médica, ele ainda foi eleito presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná.

Agora, o desafio que se aproxima também vem da demanda popular: ser pré-candidato a deputado estadual, nas eleições de 2026.

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